Varejo de livros cada vez mais perto de alcançar os números de 2019

Painel do Varejo de Livros no Brasil aponta crescimento de 22,38% em faturamento durante o mês de outubro. No acumulado do ano, os números se aproximam dos apurados em 2019.

Data: 19-11-2020
Fonte: PublishNews
Autor: Leonardo Neto

Em abril passado, no auge da crise provocada pelo novo coronavírus, o Painel do Varejo de Livros no Brasil registrou queda de 47,6% no faturamento apurado com a venda de livros nos estabelecimentos monitorados pela Nielsen. No mês seguinte, o acumulado do ano já registrava queda de 13,1%, quando comparado com 2019. Nos meses seguintes, o varejo foi se readequando e o livro encontrando seu caminho.

A nova realidade – provocada pela crise iniciada em 2018 e, sobretudo, reforçada pela pandemia – acelerou um processo de digitalização ou virtualização das vendas de livros. Neste novo ambiente, claro, os e-commerces não só ganharam força, como perceberam chance de crescer ainda mais. Nunca é demais lembrar a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro que apontou crescimento das “livrarias exclusivamente virtuais”. Em 2018, elas eram responsáveis por 3,4% do faturamento das editoras. No ano seguinte, esse índice saltou para 12,7% e a perspectiva é que quando saírem os resultados da pesquisa no ano que vem, referentes aos dados de 2019, haja um novo (e ainda maior) salto nesta linha.

Um exemplo que ilustra bem isso é o Submarino. Justamente em maio, quando o varejo estava no fundo do poço, Anna Sotero, diretora comercial da B2W, holding que detém a marca Submarino, concedeu uma entrevista ao PublishNews dizendo que a varejista vivia um “outro momento” na relação com o livro e seus fornecedores. “Estamos focados na retomada do crescimento da categoria”, disse. “Sabemos que o mercado editorial está em crise e oferecemos opções de negócio para todas as editoras, seja por meio da venda direta ou pelo marketplace”, completou. O Painel desconsidera, pela sua metodologia, as vendas realizadas via marketplace, mas as “vendas diretas” citadas pela Anna são contabilizadas no relatório.

O caso do Submarino é apenas um exemplo dessa movimentação que tem feito a roda girar e alimenta os dados reunidos pelo Painel cuja 11ª edição de 2020, referente ao período de 5 de outubro a 1º de novembro, registrou a venda de 3,6 milhões de exemplares e faturamento de R$ 136,85 milhões. Na comparação com igual período de 2019, esses números representam crescimento de 25,87% em volume e de 22,38% em valor. A Nielsen chega a falar, com razão, em “boom”.

O relatório não traz a informação de o quanto dessa venda se realizou em ambiente virtual ou em lojas de argamassa e tijolo, mas há fortes e claros indícios de que o e-commerce abocanhou grande parte dessas transações.

Os números graúdos de outubro ajudaram a diminuir a distância com os apurados em 2019. No acumulado do ano, já foram vendidos pela apuração da Nielsen 32,8 milhões de cópias, 688,7 mil exemplares ou 2,06% a menos do que o apurado em 2019. Os estabelecimentos monitorados pelo instituto de pesquisa registraram faturamento de janeiro a outubro de R$ 1,38 bilhão. Na mesma base de comparação, a queda é de 3,10% ou, em números absolutos, R$ 44,3 milhões a menos no caixa das varejistas.

Mesmo ainda sendo um cenário negativo, a situação já esteve muito pior. Comparando com o Painel anterior, há um crescimento positivo de 2,62 pontos percentuais em volume e 2,16 p.p. em valor. Nada mal e se pensar que ainda tem BlackFriday e Natal pela frente, o varejo tem chances de fechar 2020 no azul. Seria quase um milagre de Natal dadas todas as circunstâncias vividas ao longo de 2020.

Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), entidade parceira da Nielsen no relatório, comemora o interesse crescente por parte dos leitores pelo livro. “A discussão recente sobre a tributação dos livros teve um impacto positivo para a indústria. A reação da sociedade, representada pelo abaixo-assinado #defendaolivro, acabou refletida no consumo. Claramente o brasileiro está lendo mais durante a pandemia”, comenta otimista.

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