A fabricante AGCO calcula redução de 5% a 10% no resultado de 2020

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Setor de máquinas agrícolas avalia impactos da Covid-19

Data: 07-05-2020
Autoria: Redação Jornal do Comércio
Fonte: Jornal do Comércio

A pandemia de coronavírus ainda gera dúvidas quanto aos resultados do setor de máquinas agrícolas no Brasil. Embora o movimento em lojas tenha sido muito afetado com o isolamento social, a necessidade de atender às demandas dos agricultores brasileiros deve impedir uma redução drástica de vendas durante 2020, segundo entidades do setor.

Ao contrário dos automóveis, que, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), tiveram queda de cerca de 80% no volume de vendas desde o início do isolamento social para conter a pandemia de Covid-19, as máquinas agrícolas não sofreram impacto em um primeiro momento. Em março, na comparação com fevereiro, a comercialização aumentou 46%; as exportações, 19%; e a produção, 15%, de acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O motivo desse resultado, para a entidade, é o fato de que a maioria das fábricas funcionou até o começo de abril, e as vendas estavam aquecidas em função da época de colheitas. As fabricantes de máquinas agrícolas garantem ter estoque para atender os produtores rurais, atividade considerada essencial, com ou sem pandemia. “O agronegócio continua. Quem plantou vai colher, e os agricultores necessitam de tecnologia”, afirma Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea. Quanto às vendas externas, diz, o setor continua exportando, e os preços no Brasil estão muito favoráveis. A entidade não tem expectativa da redução de compra de máquinas, mas considera cedo para projetar resultados.

O Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers) tem a mesma percepção. Quando começou a pandemia, o Estado estava no início da colheita da safra de verão e, como o produtor precisava de equipamentos, as vendas do período foram consideradas razoáveis. “Mas, depois disso, os pedidos pararam. As indústrias estão com a capacidade bem reduzida, algumas com férias coletivas”, comenta explica Cláudio Bier, presidente do Simers. Segundo o dirigente, as atividades começam a voltar aos poucos, mas muitas empresas devem fazer uso da Medida Provisória (MP) nº 936/2020, realizando cortes de jornadas e salários, e suspendendo contratos para evitar ao máximo demissões.

A AGCO, fabricante das marcas Massey Ferguson, Valtra, Fendt e GSI, estima um impacto de retração de cerca de 5% a 10% nas vendas em 2020, dependendo dos efeitos da pandemia na economia e na cadeia de fornecedores. “Ainda que o agronegócio seja essencial para a retomada econômica do País, certamente será impactado, assim como todos os demais setores com quem dialoga”, avalia Luis Felli, presidente da AGCO na América do Sul.

Para Felli, no varejo, o mercado de máquinas agrícolas vinha se mostrando positivo, porém, durante o mês de abril, seguiu com menos velocidade, impactado também pela suspensão temporária de outras atividades, como cartórios, por exemplo (o que impossibilita a efetivação das compras). “Obviamente que isso adia uma série de decisões do produtor rural, refletindo neste impacto”, destaca o presidente da AGCO na América do Sul.

Porém o executivo acredita que, com a safra recorde de soja e os bons preços do milho, o momento é favorável ao produtor rural investir em máquinas agrícolas. Felli espera que o impacto da pandemia no segundo semestre seja pequeno. “Nosso maior cliente, que é a China, está em pleno funcionamento no processo de esmagamento de grãos. Neste contexto, temos a responsabilidade de continuar produzindo, buscando minimizar os impactos no setor”, afirma.

O mercado externo do agronegócio também é apontado como uma saída para melhorar os resultado do setor por Roberto Manuel Saldanha, diretor da Fenabrave-RS. O dirigente diz que o dólar em patamares acima de R$ 5,00 fica muito barato para os compradores internacionais adquirirem produtos no Brasil. “Será importante acompanhar de perto a evolução das exportações, especialmente pela China e pelo mundo árabe”, acredita.

Entretanto, Saldanha lembra que o essencial para as indústrias é que o governo libere o crédito para financiamento de máquinas. Um exemplo é o programa Moderfrota, para o qual a indústria demandou R$ 13 bilhões em 2019/2020, mas o governo reservou R$ 9,6 bilhões. Para 2020/2021, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Implementos (Abimaq) já pediu R$ 15 bilhões nesse programa. “O mais importante é retomar os recursos nas linhas de financiamento”, comenta.

Ausência das feiras piora resultados

Apesar da pandemia de coronavírus estar no holofote das notícias, para o setor de máquinas agrícolas gaúcho, o principal desafio ainda são os efeitos da estiagem no bolso dos produtores do Estado. Com uma estimativa, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) de retração de 46% na safra de soja, principal cultura de verão no Rio Grande do Sul, as perspectivas para os negócios no Estado não são animadoras.

“O produtor gaúcho deverá comprar muito pouco. Ele perdeu o ano, não terá renda suficiente em 2020”, afirma Cláudio Bier, presidente do Simers. A opinião pessimista é compartilhada por Roberto Manuel Saldanha, diretor da Fenabrave-RS. “A seca arrasadora que perdura aqui no Estado é, sem dúvida, o maior problema, mas ficou em segundo plano nos noticiários.” Para Saldanha, outros estados do Brasil deverão ser o foco dos fabricantes. “O ano foi frustrado só no Sul. Mas, no Centro-Oeste e em outras regiões, a colheita foi normal. Aqui, só com a volta das chuvas para ter uma ideia de como ficará o ano.”

Bier também acredita que as indústrias gaúchas de máquinas ainda podem ter bons resultados conforme se concretizaram negócios nos outros estados. O presidente do Simers lembra que o Rio Grande do Sul representa apenas 11% das vendas das indústrias do setor instaladas no Estado. “No resto do Brasil inteiro, a safra dos principais produtos – como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar – foi boa. E o preço das commodities está muito bom”, destaca. “O problema é que, com essa insegurança, quem tem dinheiro ou produto está guardando. Temos que ver como a pandemia avança e como vai fechar o segundo trimestre para ter uma noção mais clara para o ano”, afirma.

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