Em processos de mudança, não importa o tamanho ou natureza, o elemento mais importante e mais difícil de ser mudado é o comportamento humano. Mudar sistemas, estruturas e processos não exigem muito esforço, pois são elementos que lidamos de forma racional e lógica. Porém, em organizações dependemos das pessoas para completar a mudança, e com elas, variáveis complexas de cunho pessoal e profissional surgem sem muito controle.


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Por Carlos Campos

O líder e a mudança

Data: 01-12-2011Fonte: Automotive Business

Isto se dá porque mudanças não são processos puramente cognitivos e sim, também motivacionais e comportamentais. Portanto, torna-se necessário compreender também a dinâmica da mudança de atitude de cada indivíduo.

O processo de mudança deve então atuar muito mais no emocional do que no racional. O foco deve ser em como as pessoas sentem a mudança e não somente como as entendem. Pessoas mudam não porque recebem lógicas que influenciam seus pensamentos e percepções, mas porque percebem novas verdades que influenciam os seus sentimentos

Quando a mudança organizacional muda a referência do que se acredita como verdade (quebra de paradigmas) e ao mesmo tempo exige mudanças nas crenças pessoais dos envolvidos, a probabilidade de haver resistência ativa contra a mudança aumenta consideravelmente.

Proporcionalmente também deve ser o senso de urgência para a mudança. Não há mudança sem um senso de urgência compartilhado por todos os envolvidos, e em especial, pela liderança. Ainda que não exista uma fórmula mágica onde todas as mudanças podem ser planejadas e implementadas, a construção do senso de urgência é o primeiro passo a ser dado.

Business people in a discussion

Assim em qualquer processo de mudança estratégica, o papel do executivo principal é fundamental para compreender o ambiente, definir a direção e imprimir o senso de urgência necessário para a mudança poder ocorrer. Não basta prover recursos, deverá demonstrar por atos e decisões de que está comprometido com a mudança. Sem o exemplo e a cobrança do líder, a empresa não irá mover-se na velocidade adequada para uma correta implementação.

Desta forma, é importante compreender não somente o papel do líder, mas como este cria impacto e mobiliza os demais rumo à direção que deseja, em outras palavras, de como a “mágica” da liderança é produzida.

Liderança não acontece sem verdade. As pessoas percebem quando algo é falso, quando não existe integridade e veracidade entre o discurso do líder e sua expressão, ação e atitude. Líderes comandam de onde eles são, como indivíduos. Por isso, o processo de autodescobrimento é essencial para os grandes líderes. A diferença entre bons e excelentes líderes está na autocompreensão de seus pontos fortes e fracos, na sua visão pessoal, missão, crença e valores.

A qualidade essencial do líder é a transcedência. É a habilidade de nos colocar no futuro, de transcender nossa realidade e o que somos. Melhorar o que existe é o papel dos gerentes. Ir além é o papel de verdadeiros líderes.

Para ir além é necesssário coragem. Coragem não é a ausência de medo. É prosseguir mesmo tendo medo. O mundo hoje muda antes de estarmos preparados. Verdadeiros líderes têm a coragem necessária para liderar em um mundo repleto de incertezas e mudanças. Podem mover as pessoas em áreas que elas não iriam por si só. Liderar é falar sobre escolhas. É engajar as pessoas nestas escolhas. Possuem coragem, pois conhecem a si mesmos e possuem a autoconfiança necessária para liderar as pessoas.

Em resumo, se você é um líder que está pensando em iniciar uma mudança na sua empresa, lembre-se que são três elementos principais que fazem o sucesso do processo de desenvolvimento de grandes líderes: a) Nosso Propósito – a consciência do que somos, onde queremos ir e de como agregamos valor, b) a abertura de como nos expressamos enquanto líderes e, c) de que maneira criamos valor através do suporte aos outros. A chave está em como colocar os três elementos – Propósito Pessoal, Valores e Serviço – alinhados e a trabalho de resultados práticos para a empresa.

Carlos Campos é Sócio Diretor na Prime Action Consulting


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