No primeiro bimestre vendas das 15 marcas associadas apuraram leve crescimento de 2,1%

Importadores da Abeifa anotam pequena alta em fevereiro

Data: 03-03-2020
Autoria: Pedro Kutney
Fonte: Automotive Business

Apesar da substancial desvalorização do real diante do dólar, que já acumula perda de quase 12%, os importadores filiados à Abeifa conseguiram apurar ligeiro crescimento de 2,1% nas vendas do primeiro bimestre do ano na comparação com 2019. Nos dois meses foram emplacados 5.075 veículos importados vendidos pelos associados da entidade, que reúnem 15 marcas de automóveis – sendo quatro com montagem local, cujas vendas não estão contabilizadas nesses números. O volume representa apenas 2,9% do mercado brasileiro nos primeiros dois meses de 2020.

O melhor resultado do ano aconteceu em fevereiro: mesmo com menor número de dias úteis – apenas 18 se forem considerados os dias parados do carnaval contra 22 em janeiro –, os 2.668 automóveis importados emplacados no segundo mês do ano significaram alta de 10,8% em relação ao mês anterior. Na comparação com fevereiro de 2019 a expansão foi de 6,8%.

José Luiz Gandini, presidente da Abeifa, credita o desempenho positivo à estratégia dos importadores, que conseguiram segurar os preços em reais.

“O setor de veículos importados esforçou-se ao máximo em manter os preços estáveis em reais. Por esse motivo, em fevereiro e no primeiro bimestre obtivemos resultado positivo. Mas a permanecer essa escalada do dólar certamente nossos números de venda serão afetados seriamente para baixo nos próximos meses”, analisa José Luiz Gandini.

O dirigente, que também é importador da Kia no Brasil, afirma que em dólares os preços dos carros importados estão mais baixo do que em passado recente, mas reconhece que a situação é insustentável e “tanto importadores como os fabricantes nacionais terão de repassar a alta do dólar aos preços finais ao consumidor em reais”.

Para salvar o ano, Gandini espera por “prováveis interferências mais incisivas do Banco Central na política cambial” para reaquecer a economia. Não se sabe ao certo por que ele antevê esse tipo de medida, algo que parece bastante improvável, tendo em vista as mais recentes declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que defende o dólar caro para evitar “festas” dos mais pobres viajando ao exterior.

Das 15 marcas da Abeifa, apenas cinco anotaram crescimento de vendas de importados no primeiro bimestre, todas com baixos volumes de vendas. Em avanço porcentual, as líderes foram Porsche (+120,6% e 503 unidades), BMW (+74,4% e 558), Land Rover (+52,2% e 586), Maseratti (+33,3% e 4) e Volvo (+13,4% e 1.197).

Em volume de vendas, a Volvo assumiu a liderança do segmento de importadores fora do Mercosul, com 1.197 emplacamentos no bimestre, apenas cinco carros à frente da Kia, que emplacou 1.192 veículos no período. Em terceiro lugar ficou a Land Rover com 586, em quarto a BMW com 558 e em quinto a Porsche com 503.

MONTAGEM NACIONAL

As quatro marcas associadas à Abeifa que também têm operação nacional de montagem nacional (BMW, Caoa Chery, Land Rover e Suzuki) fecharam fevereiro último com 2.906 unidades emplacadas, o que representou alta de 15,2% em relação a janeiro de 2020, e aumento de 24,5% ante fevereiro de 2019.

No primeiro bimestre as quatro emplacaram 5.429 unidades, mais do que a soma das 15 marcas importadas e em crescimento de 26,1% sobre os mesmos dois meses de 2019. O desempenho positivo foi liderado exclusivamente pela Caoa Chery, que com 3,6 mil emplacamentos no período anotou expansão de 56,1% ante o mesmo intervalo do ano passado.

Atualmente, todos os modelos Caoa Chery vendidos no Brasil são montados em Jacareí (SP) – Tiggo 2 e Arrizo 5 – e Anápolis (GO) – Tiggo 5x e 7. Na mão contrária, as outras três marcas associadas com produção local (BMW, Land Rover e Suzuki) estão gradativamente substituindo por importados as novas gerações de carros que vinham sendo montados no País.

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