Custo de propriedade reina, mas até quando?

Em recente pesquisa, a J.D. Power and Associates identificou no Brasil que o fator mais preponderante para a satisfação dos consumidores brasileiros após 2 anos de uso de um veículo é o seu custo de propriedade.  O estudo denominado VOSS – Vehicle Ownership Satisfaction Study baseia-se na avaliação em relação a quatro grandes áreas de …

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Data: 05-09-2012
Fonte: Automotive Business
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Em recente pesquisa, a J.D. Power and Associates identificou no Brasil que o fator mais preponderante para a satisfação dos consumidores brasileiros após 2 anos de uso de um veículo é o seu custo de propriedade.  O estudo denominado VOSS – Vehicle Ownership Satisfaction Study baseia-se na avaliação em relação a quatro grandes áreas de satisfação. Em ordem de importância, são: custo de propriedade (46%), incluindo o consumo de combustível, o valor do seguro e o custo de manutenção/conserto; design e desempenho do veículo (22%), como conforto e recursos; experiência pós-venda (20%); e qualidade do veículo (12%).

Por CARLOS CAMPOS

Custo de propriedade reina, mas até quando?

Data: 05-09-2012
Fonte: Automotive Business

Tendo o custo de propriedade respondendo por cerca de metade da satisfação dos proprietários, não é de se estranhar a indignação e sentimento de insatisfação, e por que não dizer de impotência, que a maioria dos brasileiros sentiu ao ler a matéria recente da Forbes, que ridicularizava os preços dos carros nacionais em comparação aos dos Estados Unidos, nos fez recordar o quão distante ainda estamos deste padrão de vida.

Na pesquisa da J.D.Power, a Toyota foi eleita como a marca com a classificação mais alta em relação à satisfação entre os proprietários pelo segundo ano consecutivo. Deve-se salientar que dentro destes 46% de custo de propriedade não está considerado a percepção de desvalorização do veículo e o esforço que o cliente tem que fazer para trocar o seu usado por um zero km da mesma marca após o período de garantia. Tudo isso também pode ser considerado custo de propriedade.

Assim construímos uma análise cruzando a desvalorização patrimonial que o cliente sofreu ao longo de 3 anos, comparando o preço do carro quando era zero km, pela tabela Fipe, há 3 anos atrás, e o seu preço usado atual no mesmo modelo e versão, adicionando a desvalorização da inflação, dado que o mesmo dinheiro há 3 anos atrás valia mais do que vale hoje. Esta desvalorização, colocamos no eixo vertical dos gráficos abaixo, denominado de desvalorização patrimonial.

No eixo horizontal, calculamos a diferença atual que o cliente terá que desembolsar para trocar o seu usado por um zero km da mesma marca e no mesmo modelo e versão, ou seja, o esforço financeiro para voltar a ter um zero Km.

Desta forma, quanto mais próximo do primeiro quadrante onde os eixos se encontram, melhor a posição do veículo, dado que sofreu a menor desvalorização patrimonial e com um menor esforço financeiro, o cliente trocará o seu veículo usado por um novo.

Na análise vertical, carros colocados nos quadrantes superiores desvalorizaram acima da média do segmento, enquanto que na análise horizontal, clientes proprietários de carros colocados nos quadrantes à direita do eixo central têm mais dificuldade de permanecer na marca do que os demais do mesmo segmento.

Interessantemente, a Toyota tem dois segmentos em que atua fortemente e figura como a empresa melhor posicionada, confirmando a percepção dos consumidores e os resultados da J.D.Power. No segmento de sedans médios, o veículo pior posicionado neste período analisado, é o C4 Pallas, com maior desvalorização patrimonial e diferença para o Zero Km.

No segmento de entrada, Fiat Palio, Uno Mille e GM Celta figuram como líderes na análise confirmando novamente os resultados da pesquisa no tocante aos resultados da Fiat.

Seguramente, quanto maior a competição e quanto maior o número de concorrentes e opções dentro do mesmo segmento, menor tenderá a ser o custo de propriedade pelo aperto das margens das montadoras. Caso este movimento vier acompanhado de reduções tributárias amplas e sistemáticas, certamente o consumidor brasileiro passará rapidamente a valorizar outros aspectos mais relacionados à qualidade, tecnologia, design do veículo e de sua experiência com o atendimento em vendas e pós-vendas em uma proporção muito maior do que relativamente valoriza hoje. Em outras palavras, há tempos reconhecemos que o consumidor brasileiro tem ficado mais exigente, mas ainda há muito espaço para que esta se manifeste em comportamentos de compra reais dentro do setor automotivo brasileiro.

Carlos Campos é Sócio Diretor da Prime Action Consulting

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