Empresa começa a fabricar veículos na Europa e aponta que pedidos superam capacidade de entrega dos primeiros meses.

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Com caminhões elétricos, Volvo aposta em lógica colaborativa

Data: 11-12-2019
Postado por: Giovanna Riato
Fonte: Automotive Business

Como mais uma montadora que se movimenta em direção ao transporte sustentável, a Volvo começa a vender caminhões elétricos na Europa. De largada, a nova opção já tem demanda aquecida na região. “Há muita procura. O volume de pedidos supera a nossa capacidade de entrega nos primeiros meses de produção”, conta Roger Alm, presidente global da Volvo Trucks, sem detalhar o volume, durante apresentação do FE e do FL elétricos à imprensa global na matriz da companhia em Gotemburgo, Suécia.

A fabricante recebe pedidos desde novembro e vai começar a produzir os veículos nos primeiros meses de 2020. Apesar da demanda acima da esperada, o executivo avisa que o plano não é apressar a solução, mas dar passos consistentes para eletrificar – ainda que menos acelerados. Tudo porque a questão essencial é garantir eficiência energética e transporte limpo, independentemente do tipo de propulsão, como conta Lars Mårtensson, diretor de meio ambiente e inovação da Volvo Trucks.

“Precisamos de uma abordagem holística. Para ser sustentável, temos de pensar na geração de energia, nos materiais que usamos no veículo e no uso que os clientes fazem do caminhão”, diz.

Ele lembra que gerar energia em uma usina de carvão faz com que o ciclo completo emita mais dióxido de carbono que um caminhão a diesel. Neste caso, países que não têm uma geração limpa podem reduzir seu impacto com motores a combustão mais eficientes.

A companhia defende que não basta desenvolver o veículo. É preciso construir uma série de soluções em paralelo, como a padronização do sistema de recarga destes modelos, a expansão dos postos de abastecimento e a implementação destes pontos dentro de centros logísticos por onde os caminhões vão circular.

“Para criar um mercado de caminhões elétricos, precisamos trabalhar em colaboração com parceiros, clientes e com a sociedade”, avalia Jonas Odermalm, vice-presidente de produtos de eletromobilidade da Volvo Trucks.

Assim, a companhia assume uma postura pouco tradicional no passado recente da indústria automotiva de se abrir para novos acordos no lugar de trabalhar fechada, em segredo. Segundo Alm, um dos resultados disso são os próprios caminhões elétricos, que serão produzidos de maneira bastante customizada para atender a cada cliente.

A aplicação das baterias é um exemplo dessa customização. Elas são fabricadas na Coreia do Sul pela Samsung em módulos de 500 quilos. O número de unidades necessárias varia de acordo com a aplicação e demanda por maior autonomia.

ELETRIFICAÇÃO COMEÇA POR DISTÂNCIAS CURTAS

A Volvo decidiu apresentar seus primeiros dois modelos com propulsão elétrica, o FL, de 16 toneladas de Peso Bruto Total (PBT), e o FE, de 27 toneladas, em versões-conceito para aplicação na construção civil e no transporte de mercadores em cidades, com 300 quilômetros de autonomia.

Segundo a companhia, essas possibilidades estão na lista das que garantem maior eficiência para a primeira fase de vendas de caminhões elétricos: transporte de curtas distâncias, com muitas paradas e acelerações, dentro de grandes cidades, por exemplo, em que o veículo volta para a garagem do operador para ser recarregado.

Estimativa da Volvo aponta que, na Europa, é em rotas assim que se concentra o maior volume de transporte. Para a segunda etapa da eletrificação, a companhia entende que será possível pensar em trajetos médios, superiores a 100 quilômetros. Neste caso, o veículo poderia fazer a recarga na parada para carga e descarga da mercadoria.

PREÇOS MAIS ALTOS E NOVO MODELO DE NEGÓCIO

Questionado sobre quanto a propulsão elétrica impacta os preços dos caminhões, Alm se esquiva. “O veículo fica mais caro, mas é difícil especificar o quanto porque depende totalmente do tipo de aplicação e das configurações de cada modelo. Além disso, vamos começar agora a produção em massa, por enquanto foi tudo muito customizado, para teste”, diz. Segundo ele, mais do que nunca, o foco é no TCO (do inglês Total Cost of Ownership, custo total da operação). É aí que mora a grande vantagem da eletrificação, diz o executivo.

“Além da economia com combustível, em boa parte das aplicações o caminhão elétrico gera menos custos com manutenção”, conta.

O executivo reforça que, assim como no caso dos automóveis elétricos, a tendência é que a diferença de preço diminua ao longo dos próximos anos conforme a demanda por baterias de íons de lítio avançar e os custos diminuírem com o ganho de escala.

Marco Mildenberg, gerente de estratégia de produto da companhia no Brasil, responsável pelo estudo de veículos elétricos e autônomos, diz que a chegada dos caminhões com a nova propulsão pode mudar também a lógica da compra do veículo.

“Em algum tempo existe a possibilidade de, no lugar de vender o veículo, oferecermos um leasing para que o cliente pague pelo uso apenas. Nesta situação, ficaria mais clara a relação custo-benefício”, diz, deixando claro que a eletrificação dos modelos pesados tem o potencial de gerar uma série de novas oportunidades.

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