Na Ásia empresas como o grupo Alibaba estão investindo pesado no desenvolvimento de serviços que usam IA e IoT.

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Foto: Shutterstock

A cidade que queremos no futuro depende das decisões que tomamos hoje

Data: 17-12-2019
Postado por: Rubens Fernandes Gil Filho
Fonte: IT Forum 365

Enquanto no Brasil estamos caminhando com a implantação de soluções tecnológicas que colaborem com a mobilidade urbana e melhorem a qualidade de vida da população, na Ásia o futuro parece já ter chegado. Gigantes como o grupo Alibaba, por exemplo, estão investindo pesado no desenvolvimento de serviços que fazem uso de Inteligência Artificial e Internet das Coisas, além de promoverem a democratização dos meios de pagamento. Embora o continente asiático esteja à frente do resto do mundo, a constatação é de que muito do que é feito por lá, já está em fase de estudos ou até mesmo de testes por aqui.

O desafio do Brasil em relação à Ásia é a velocidade com que as novas tecnologias são desenvolvidas. Percorrer Seul, capital da Coréia do Sul, e Tóquio, no Japão, é mergulhar num mar repleto de recursos tecnológicos que atendem às diversas demandas dos cidadãos. Seul tem um sistema que opera totalmente informatizado e integrado, que é utilizado por 91% da população. Há 15 anos, o município implantou uma nova política de tarifas e tornou a integração gratuita entre os diversos modais. A operadora de bilhetagem T-Money gerencia o sistema que integra o transporte público, bicicletas e táxis. O cartão de transporte T-Money, adquirido em caixas eletrônicos e lojas de conveniência, ainda é usado para compras em geral, a exemplo do que ocorre no Japão.

Já Tóquio possui a maior estação de metrô do mundo, Shinjuku, com mais de 200 entradas, muitas lojas subterrâneas e circulação de mais de 3.5 milhões de pessoas por dia. Os principais cartões de transporte na capital japonesa são o SUICA e o PASMO. Além de pagar por viagens nas modalidades de transporte público disponíveis, funcionam como meio de pagamento de uso geral. Com eles, pode-se adquirir bens e serviços, alugar lockers – os armários que existem em todas as estações para guardar pertences – e usar as vending machines espalhadas pela cidade. Essas máquinas que vendem água e refrigerante, entre outros itens, muitas vezes não aceitam débito ou crédito, mas aceitam sempre os cartões de transporte.

Na China, a sensação é de que tudo, em breve, funcionará por meio de Inteligência Artificial ou Internet das Coisas (OiT). No FlyZoo, hotel do grupo Alibaba, em Hangzhou, o hóspede faz o check-in, sobe ao quarto e pede room service sem falar com nenhuma pessoa, apenas por meio de robôs. A reserva e o check-in são feitos por app ou em totens digitais. Reconhecimento facial substitui as chaves, fecha as cortinas e controla o ar condicionado, tudo por comando de voz. O serviço de quarto é todo realizado por robôs, que além de entregar refeições e bebidas, também preparam drinks e sorvetes.

O reconhecimento facial, que até pouco tempo era coisa de cinema, também já pode ser visto no comércio dos grandes centros chineses. Já é possível pagar o almoço, comprar um tênis ou qualquer outra coisa, por exemplo, de forma rápida só por meio da leitura do rosto das pessoas.

Por aqui, temos uma grande oportunidade. No Rio de Janeiro e São Paulo, as duas grandes metrópoles do país, a integração de modais e o pagamento eletrônico já são uma realidade, mas o desafio é conseguir expandir para outras cidades e fazer com que os usuários adotem, cada vez mais, os serviços digitais. Pagamento com QR Code e reconhecimento fácil já estão em testes no transporte público.

A mobilidade é um dos pilares para a criação de Smart Cities e temos investido em tecnologia. Só na Grande São Paulo fazemos o gerenciamento de mais de 10 milhões de cartões BOM, cartão de transporte que integra 39 municípios da região metropolitana e que gera 4 milhões de transações diárias. O VouD, app que oferece informações em tempo real sobre trajetos e seus valores, além de permitir a recarga dos cartões de transporte, inovou ao lançar um canal para denúncias contra assédio.

Há muito ainda para ser feito, mas os avanços precisam ser baseados nas necessidades dos cidadãos que moram e trabalham nos grandes centros urbanos. São eles que sinalizam as mudanças que precisam ser feitas e a nós cabe mapear e entender esse comportamento. A cidade que queremos ser no futuro depende das decisões e investimentos que fazemos no presente. E a tecnologia é o meio para essa transformação.

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