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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2018 | O Globo
Santander faz parceria com 'banco do Brics' para projetos de infraestrutura
Redação O Globo

O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o chamado “banco do Brics” — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul —, assinou nesta quarta-feira acordo com o Santander Brasil para a concessão de linhas de crédito a projetos de financiamento de infraestrutura no país. Trata-se do primeiro acordo de cooperação estratégica do NBD com um banco privado no Brasil.

Foto: Agência do banco Santander em São Paulo (Paulo Fridman / Bloomberg)

A parceria abre espaço para a prestação de serviços financeiros entre as duas instituições também em outras frentes, como emissões de bônus, operações de câmbio e derivativos, transferência de valores e até mesmo oferta de serviços bancários.

Analistas apontam ainda que isso significa um novo segmento de atuação dos bancos privados.

- A cooperação entre o Santander Brasil e o NBD será importante para o crescimento do financiamento de infraestrutura e o desenvolvimento sustentável no Brasil. Queremos que essa parceria seja duradoura - afirmou Sergio Suchodolski, diretor-geral de Estratégia e Parcerias do NBD.

A instituição já tem uma carteira de US$ 300 milhões em projetos de energia renovável no Brasil e negocia outras operações. Entre as áreas nas quais os bancos podem atuar em conjunto estão gerenciamento de recursos hídricos e saneamento, transporte e conectividade, energia limpa, desenvolvimento urbano sustentável e integração econômica.

O Santander identificará as operações, e, quando houver interesse, o NBD entrará com linhas de financiamento.

- Temos interesse em todas as possibilidades de negócios abertas pelo acordo com o NBD, que é uma instituição multilateral. O fato de sermos o banco internacional com maior presença no Brasil nos coloca em uma posição favorável para desenvolver essa parceria - disse Rafael Noya, diretor de Corporate Investment Banking do Santander Brasil.

A parceria entre Santander Brasil e NBD sinaliza a abertura de um mercado que praticamente não existia para os bancos privados, que é o investimento em infraestrutura, avalia o advogado Fernando Villela, especialista na área de infraestrutura do Siqueira Castro Advogados. Segundo ele, o Santander sai na frente das demais instituições financeiras ao ampliar o acesso a capital para esses investimentos.

— O acordo entre o Santander Brasil e o NBD acontece num momento em que o BNDES está reduzindo sua participação em projetos de infraestrutura, sinalizando a abertura de um segmento onde os bancos privados não conseguiam competir com os juros baixos do banco de fomento brasileiro. É um caminho para a ampliação de crédito nesse setor — o NBD tem US$ 100 bilhões em capital —, além de diluir os riscos.

Além da competição com os juros baixos do BNDES, o que levou o investimento em infraestrutura no Brasil a ser quase que exclusivamente público, os bancos privados também evitavam esse tipo de financiamento por causa da percepção de risco, da baixa liquidez e dos prazos longos dos projetos.

Para Eduardo Padilha, professor de Infraestrutura do Insper, associações como a feita entre Santander e NBD são o caminho para financiar infraestrutura no país. Padilha, pondera, entretanto que projetos de longo prazo na área de infraestrutura geralmente trazem risco cambial, e os contratos de financiamento têm de levar esse problema em consideração.

- Há demanda para investimento em infraestrutura, mas os contratos precisam equalizar o risco cambial de longo prazo para atrair esses recursos - diz Padilha.O NBD foi fundado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul em julho de 2014, durante a sexta cúpula do Brics, em Fortaleza, com um capital de US$ 100 bilhões.

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