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Terça-feira, 18 de Abril de 2017 | Revista Exame / Estadão Conteúdo
Por que as contas digitais estão sumindo dos grandes bancos?
Redação Estadão Conteúdo

Vantajosas para quem foge de filas em agências bancárias e de longas esperas em serviços de callcenter, as contas 100% digitais estão cada vez mais difíceis de se encontrar – sobretudo nos grandes bancos.

Neste mês, Bradesco e Itaú anunciaram que vão descontinuar suas contas digitais gratuitas, reduzindo ainda mais as opções para quem busca serviços bancários sem custo.

Foto:Contas digitais: as contas permitem movimentação exclusiva por canais de autoatendimento, como internet banking, aplicativo e caixa eletrônico (iStock/Thinkstock)

Ainda que nada mude para os clientes que já usam essas contas nos dois bancos, não será possível fazer a migração para esse tipo de produto no caso de quem já é correntista.

Por outro lado, o Banco do Brasil, que havia encerrado sua conta digital em outubro do ano passado, relançou a modalidade um mês depois, com o objetivo de concentrar esforços no segmento.

O banco vetou, porém, a migração a clientes que já tenham conta na instituição. Também vem crescendo o número de clientes de bancos novatos, como Intermedium e Sofisa Direto.

As contas digitais, regulamentadas pelo Banco Central na resolução 3.919/2010, que vigora desde 2011, permitem movimentação exclusiva por canais de autoatendimento, como internet banking, aplicativo e caixa eletrônico.

Esse tipo de conta é isenta de tarifas para transferências bancárias e consulta de extratos, além de também oferecer um cartão de débito.

Caso o consumidor queira utilizar canais telefônicos ou ir até a agência, a operação será cobrada como um serviço à parte, segundo os pacotes de tarifas de cada banco.

“A tendência é essas contas desaparecerem dos grandes bancos”, afirma Ione Amorim, economista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).

Na sua avaliação, os bancos promoveram a abertura das contas digitais gratuitas como forma de atrair o consumidor para o ambiente virtual, além de incentivar o esvaziamento das agências, o que reduz custos.

“Agora, o movimento é o inverso: os bancos já atingiram esse propósito e promoveram essa migração, por isso vêm parando de oferecer essas contas.”

Diretor da consultoria Capgemini, Daniel Rocha considera irreversível o uso das contas digitais, mas agora com custos. “Os bancos caminham para oferecer esses serviços com tarifa diferenciada”, diz.

O Bradesco justifica o fim de sua conta exclusivamente eletrônica em função de “novas frentes de soluções digitais que estão sendo desenvolvidas”.

Em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo de agosto do ano passado, fontes afirmaram que o banco preparava ainda para o fim de 2016 o lançamento de uma marca que deve concentrar todos os seus serviços digitais, a Next.

O banco não comenta o assunto. Já o Itaú diz que “pesquisas internas apontaram a necessidade de simplificar sua prateleira de pacotes”.

No caminho inverso, o banco Intermedium tem planos para oferecer uma conta digital gratuita também para o cliente pessoa jurídica a partir do segundo semestre.

Atualmente, os serviços para a pessoa física são pagamentos, transferências entre bancos, depósitos e cartão com funções débito e crédito.

A taxa de juros no rotativo é de 5% ao mês. Nos maiores concorrentes, a média está em 15% ao mês. Já o Original cobra uma taxa de R$ 9,90 por mês no primeiro ano pelo pacote básico.

No Neon, é grátis apenas a primeira transferência do mês para outro banco. As demais funções são gratuitas. Sofisa Direto também oferece esses serviços, salvo cartões.

À reportagem, o banco disse que lançará em breve um cartão de débito. No Santander, é possível abrir uma conta por aplicativo, mas as tarifas variam de acordo com os pacotes de serviços. A Caixa não tem contas digitais.

Irregularidades

Ao optar por uma conta digital, o consumidor precisa estar atento para irregularidades ou tentativas de venda casada, alerta a economista do Idec Ione Amorim.

“Pode haver pressão do funcionário do banco para empurrar, junto com a conta, um seguro ou mesmo um cartão de crédito, que vai ter anuidade”, diz.

Essa prática, explica ela, configura venda casada.

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