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Quinta-feira, 20 de Abril de 2017 | Automotive Business
Indústria de implementos aposta em sinais de retomada
Sueli Reis

Embora tenha registrado queda de 27% nas vendas de implementos rodoviários no primeiro trimestre na comparação com mesmo período do ano passado, a tendência de retração com menor intensidade leva a Anfir, associação que reúne as fabricantes do setor, a manter sua perspectiva de crescimento para o ano, de 10% sobre 2016. Com base nesta projeção, a indústria prevê entregar entre 26 mil e 27 mil unidades neste ano contra as 23 mil em 2016.



Para o presidente da Anfir, Alcides Braga, alguns fatores já estão contribuindo para que o setor alcance o volume previsto, como a melhora dos negócios para alguns segmentos da economia, a maioria relacionado a commodities: agronegócio (grãos, cana), papel e celulose, mineração e óleo e gás.

Com isso, o segmento pesado, de reboques e semirreboques, que atende esses setores, devem puxar muito mais o crescimento previsto do que os leves, composto por carrocerias sobre chassis e mais concentrado em centros urbanos.

Outra aposta da indústria de carretas é a concretização dos leilões para projetos de infraestrutura em rodovias, aeroportos, ferrovias e outros anunciados pelo governo que podem desencadear um novo movimento entre as empresas interessadas, inclusive atraindo grupos internacionais, principalmente após o episódio da deflagração da crise interna com grandes construtoras nacionais.

“É a visão do copo meio cheio; deve acontecer um turnover de novos consórcios e o surgimento de várias construtoras regionais. No médio prazo, nossa indústria vai respirar, tanto pelo desgaste dos próprios veículos/implementos quanto por esta mudança de perfil de cliente, que vai estar mais pulverizado, a fim de prevalecer esse modelo mais espalhado e menos concentrado de empresas numa mesma licitação.”

Braga deixa claro que o ponto de estabilidade e reversão da curva de queda das vendas do setor não será no curto prazo: “Acredito que 2020/2021 será a ‘nova era’ para a infraestrutura do País, impulsionada por grupos internacionais interessados nas licitações”, comenta, considerando que para as novas licitações as empresas deverão investir com capital próprio e não devem contar com subsídios do BNDES.

“É a melhor notícia para nós do setor, essa mudança de padrão, que era um modelo mais concentrado; isso trará novos atores a serem contratados e mais diluídos entre os projetos.”

CRÉDITO DIFÍCIL

Por outro lado, o que ainda preocupa a indústria de implementos é a dificuldade de acesso ao crédito, principalmente por parte das empresas de médio e pequeno portes, que sofrem mais com a instabilidade nos fluxos de caixa. Para Braga, a mudança de indexador para as linhas do BNDES, com o fim da TJLP e introdução da TLP a partir de 2018, mais alinhada com os juros praticados pelo mercado, baseado na Selic, pode comprometer ainda mais a saúde financeira de empresas que contavam com o BNDES como principal banco de fomento, uma vez que a perspectiva do governo é reduzir o papel da instituição estatal nessa área.

“É por isso que ainda estamos pleiteando e insistindo em uma participação maior do banco nos financiamentos e negócios das empresas menores”, explica. Tradicionalmente, o BNDES financiava entre 80% a 90% do valor de caminhões e implementos, índice que passou para 60% nos últimos anos, pós-Finame PSI, linha de financiamento do BNDES que tinha juros reais negativos, abaixo da inflação.

Braga conta que, por causa da crise, a entidade perdeu 10% de seus associados, somando agora 136 empresas, enquanto o número de empregos caiu de 70 mil para 40 mil nos últimos anos, também após o fim do PSI.

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