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Quarta-feira, 13 de Setembro de 2017 | Automotive Business
Governo quer carro elétrico no Brasil, mas não muito
Giovanna Riato

China, Alemanha, Reino Unido evoluem no plano de extinguir o carro com motor a combustão nas próximas décadas. Enquanto isso o Brasil não planeja qualquer ação consistente pelo veículo elétrico. O Rota 2030, conjunto de regras que está em formulação e vai guiar a indústria automotiva a partir de 2018, não deve trazer nenhuma novidade nessa área. Quem conta é Luiz Miguel Falcão, coordenador da secretaria de desenvolvimento e competitividade industrial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Ele participou do Simea, simpósio de engenharia da AEA (Associação de Engenharia Automotiva) que acontece entre 12 e 13 de setembro em São Paulo.



“Vamos manter o desconto no Imposto de Importação para estes modelos e queremos estimular o desenvolvimento dos carros elétricos no Brasil, mas por enquanto não há medidas definidas para isso”, admite. A questão é que, assim como em qualquer outro país, o avanço do modelo zero emissão localmente depende no primeiro momento de incentivos para tornar interessante o preço mais alto da tecnologia, além da implementação de uma boa estrutura de recarga, entre outras ações.

Ironicamente, mesmo sem um plano estratégico por enquanto, o assunto está em discussão entre o MDIC e entidades que representam a indústria automotiva, como Anfavea e Sindipeças. O carro elétrico ganhou até grupo de trabalho exclusivo no ministério, formando o sétimo time responsável por desenhar os vários aspectos do Rota 2030. Assim, para todos os efeitos, governo e indústria trabalham nisso, mas não o bastante para resolver a questão. Inicialmente a equipe que desenha as metas de eficiência energética do programa tinha a responsabilidade de planejar também o avanço no mercado de modelos zero emissão. A discussão cresceu e pareceu mais lógico separar os times.

E AS EXPORTAÇÕES?

O Rota 2030 é visto no governo como a “evolução do Inovar-Auto”, conta Falcão, reconhecendo que o programa que termina neste ano fracassou em muitos aspectos, mas foi responsável por avanços importantes, como a imposição de metas de eficiencia energetica para os carros vendidos localmente. A promessa é de corrigir os erros e reforçar os acertos no Rota 2030, que tem a ambição de inserir a indústria automotiva nacional no cenário global, aproximando em termos tecnológicos os veículos feitos aqui dos construídos em outros grandes mercados.

A ideia, no entanto, não parece viável sem a definição do posicionamento do Brasil em relação ao carro elétrico, que tende a ganhar amplo espaço globalmente nos próximos anos. Por enquanto a legislação nacional coloca foco apenas no etanol e nos veículos flex fuel, tecnologia ambientalmente amigável e ainda amplamente difundida localmente. “Se 100% da frota nacional usasse etanol, nós superaríamos imediatamente a meta ambiental que a Europa tem apenas para 2030”, calcula Luis Afonso Pasquotto, presidente da fabricante de motores diesel Cummins e desta edição do Simea.

Mesmo com tanta vantagem, nem mesmo o etanol tem política clara no Brasil e, ainda que tivesse, seria necessário traçar uma estratégia para que o País não concentrasse todos os esforços somente em uma solução energética exclusiva para o mercado interno. No futuro, se quiser mesmo se integrar à indústria automotiva global, o setor automotivo brasileiro terá de oferecer também tecnologias aceitas internacionalmente.

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