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Quarta-feira, 19 de Abril de 2017 | Automotive Business
Governo dá a largada na política Rota 2030, que sucederá o Inovar-Auto
Redação Automotive Business

Na terça-feira, 18, o governo federal convocou os líderes da Anfavea, do Sindipeças e da Abeifa - principais entidades representativas do setor automotivo - para dar a largada à Rota 2030, política automotiva que vai substituir o Inovar-Auto, programa desenvolvido e implementado durante a gestão de Dilma Rousseff que termina em dezembro deste ano. O novo programa vai atender à demanda da indústria por mais previsibilidade com conjunto de regras que têm validade por prazo mais longo.



Diante dos pedidos das entidades do setor, o governo definiu que a legislação terá abrangência de 15 anos, com três ciclos de desenvolvimento. "A ideia da Rota 2030 é planejar a política industrial para além dos ciclos políticos normais de quatro em quatro anos. As decisões empresariais, em geral, são tomadas em ciclos mais longos”, destacou em comunicado o secretário de Desenvolvimento e Competitividade Industrial, Igor Calvet. Ele reforçou ainda a alta relevância do setor automotivo para a economia brasileira, lembrando que o setor responde por 22% do PIB industrial.

Assim, ainda que as exigências mudem a cada etapa, a promessa é de que as regras serão claras desde o início diferentemente do Inovar-Auto, que começou em 2013, mas até hoje, perto do fim, tem detalhes indefinidos ou que ainda não foram regulamentados. Aparentemente favorável para o setor automotivo, o prazo é por enquanto o único aspecto claro da política Rota 2030. Todo o resto deve ser desenvolvido só a partir de agora por grupos de trabalho anunciados pelo governo e compõem o GAN 2030 (Grupo de Alto Nível 2030).

A ideia é reunir especialistas e membros do setor automotivo para debater os desafios que a indústria nacional precisa enfrentar para se manter relevante nos próximos 15 anos. Deste levantamento sairão recomendações para melhorar a competitividade da cadeia produtiva, aponta comunicado distribuído pelo Mdic, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. “A criação do GAN é o reconhecimento de que o governo não faz nada sozinho, é um esforço conjunto entre indústria e governo”, aponta o ministro da pasta, Marcos Pereira.

META É BUSCAR INTEGRAÇÃO PRODUTIVA GLOBAL

Serão seis times trabalhando nos assuntos mais importantes para o setor: reestruturação da cadeia de autopeças; P&D e engenharia – que inclui conectividade e manufatura avançada; eficiência energética e novas tecnologias de motorização; segurança veicular; fábricas de veículos premium ou com baixo volume de produção; e estrutura de custos para integração competitiva. Segundo o Mdic, todos os desafios serão debatidos pelo viés das novas tendências da mobilidade que ganham espaço globalmente.

O desafio é grande: fazer ofensiva global para garantir que o Brasil chegue a 2030 com nível tecnológico equivalente ao oferecido pela indústria de países maduros. As ambições incluem ainda a integração o Brasil como polo de produção e exportação na cadeia global de suprimentos, com competitividade para fazer os principais sistemas automotivos e capacidade para liderar o desenvolvimento de projetos globais.

A promessa é desenhar o programa nos próximos meses para anunciar em 30 de agosto como ele vai funcionar. Com a nova política o atual governo pretende virar a página do Inovar-Auto, que foi condenado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) por ser protecionista e duramente criticado por fechar o mercado interno no lugar de tornar as empresas locais mais competitivas para exportar e competir globalmente.

O QUE ESTÁ EM DISCUSSÃO

Procurada pela reportagem, a Anfavea preferiu não comentar o anúncio do governo. A entidade vem falando das negociações da nova política há algum tempo. No começo de março Antonio Megale, presidente da associação, afirmou devem ser elaboradas medidas para desenvolver localmente a Indústria 4.0, ou Internet Industrial, conceito que abrange conectividade, automação, uso de dados e de internet das coisas (IoT) para aumentar a eficiência das fábricas.

Além disso, tanto a Anfavea quanto o Sindipeças já abordaram a necessidade de o pacote de medidas incluir ações para apoiar a cadeia de autopeças, incentivo à engenharia, pesquisa e desenvolvimento, além de novas metas de eficiência energética. É certo também que vai cair o adicional de 30 pontos no IPI cobrados das empresas não cumprem as regras do atual Inovar-Auto.

Especula-se sobre a possibilidade de o IPI passar a ser proporcional à eficiência energética dos carros vendidos por cada marca no País. Dessa forma, as montadoras que oferecem veículos mais econômicos pagariam alíquota menor do que as empresas que trabalham com modelos mais beberrões.

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