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Quarta-feira, 08 de Agosto de 2018 | DCI
Barter em ritmo lento preocupa e bancos devem liberar mais recursos
Marcela Caetano

As operações de compra de insumos por meio de barter – modalidade em que o produtor usa grãos para pagar por insumos para a lavoura – para a safra 2018/2019 estão abaixo do habitual devido à dificuldade de precificar commodities no mercado futuro, causada pelo tabelamento de fretes.

Foto: Operações são importantes para o financiamento de insumos para a safra de grãos como a soja no País. (Estadão Conteúdo)

Uma parte significativa do financiamento da safra é feita por meio desse tipo de operação de troca, em que o produtor compromete parte da safra para custear sementes, defensivos, adubo e outros insumos. “A intenção dos agricultores é grande, mas (as operações) não estão no patamar que deveriam para essa época do ano”, avalia o vice-presidente sênior da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF na América Latina, Eduardo Leduc.

Segundo ele, as tradings estão inseguras com relação a esse momento de câmbio volátil e de indefinição sobre os preços de fretes, e isso atrasa os contratos de barter. “Percebemos esse atraso e é importante que isso se recupere, pois o barter é uma ferramenta financeira fundamental para o setor”, avalia.

Segundo o diretor de marketing estratégico da Basf, Marcelo Ismael, as operações respondem por 30% das vendas da companhia.

O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz, destaca que hoje as operações de troca respondem por 17% da safra da oleaginosa. “Isso é pouco menos da metade dos 30% a 35% que normalmente seriam financiados por meio de barter pelos sojicultores”, informa Braz.

Essa avaliação, porém, não é unâmine. A Bayer aponta uma aceleração das operações de troca, especialmente na cultura do algodão, que está em um momento bastante favorável. “Em soja, nós também vemos negócios acontecendo. Dependendo do insumo e da região o produtor está mais ou menos propenso, mas acredito que estamos em uma fase normal de negociação” afirma o diretor de marketing da Bayer, Mauro Alberton.

Para ele, como os defensivos serão utilizados no terceiro e quarto trimestres do ano que vem e o frete ocorrerá ainda mais tarde, não necessariamente os preços mínimos no transporte têm impacto concreto nas operações de troca.

Segundo ele, embora o produtor esteja preocupado com o tabelamento, que considera um “complicador” para a safra, a demanda por insumos está em linha com as vendas de temporadas anteriores.

Alberton pondera que a valorização do dólar ampliou os custos das empresas em aproximadamente 20%, já que uma pequena parte da matéria prima é produzida no Brasil. “Em um primeiro momento, isso cria mais uma indefinição no mercado, mas não acredito que deva afetar a demanda por insumos”, avalia.

Crédito

Para o vice-presidente de agronegócio do Banco do Brasil, Tarcísio Hübner, se o mercado futuro continuar nebuloso, poderá comprometer o financiamento da safra. “O banco se coloca a disposição para ser uma alternativa para o financiamento que seria feito via barter, pelo menos neste momento, ou mesmo para financiar as empresas e cooperativas que necessitem desse recurso, além do próprio produtor”, diz.

O banco é lider em liberação de crédito agrícola no País e oferta de R$ 103 bilhões para a safra 2018/19.

Segundo ele, o fluxo de liberação de recursos está normal, com uma grande demanda de crédito para pré-custeio e uma elevação de 17% a 18% de janeiro a julho. Em relação a julho do ano passado o incremento supera os 30%. “A demanda está aquecida e não faltarão recursos. Essa procura vai continuar crescendo até outubro, quando começa o forte do plantio”, avalia Hüber.

Ele destaca que com as taxas de juros em torno de 6% a 7% do Plano Safra atual, ante a média de 8,5% no plano anterior, o produtor sente-se incentivado a tomar recursos.

Assim como nos bancos privados, o Banco do Brasil relata o aumento da liberação de crédito a juros livres. “Percebemos isso, principalmente para os médios e pequenos produtores”, afirma Hübner. “A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) tem sido uma fonte interessante e estamos bastante tranquilos quanto à oferta de recursos”, destaca.

Conforme o diretor de agronegócios do Santander, Carlos Aguiar Neto, desde a entrada do novo Plano Safra em vigor, em julho ante ao mesmo período do ano passado, a liberação de crédito do banco aumentou 20%. “Apesar da receita (do produtor) ter aumentado, o custo subiu também. A margem continua ótima, mas o produtor precisa de mais dinheiro para plantar”, diz. O banco espera aumento de 30% na liberação de crédito rural neste ano.

“Com a Selic de um dígito, a necessidade de crédito rural subsidiado passa a ser relevante somente para os pequenos produtores. Para os médios e os grandes agricultotores, faz mais sentido ter acesso ao mercado aberto mesmo”, opina o diretor do Santander.

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