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Estadão | 12.12.2009
Opcionais valem pouco na revenda

Por:  Rafaela Borges

Entrevistado Prime Action:Ricardo Strunz

Em geral, excesso de equipamentos não valoriza modelo usado

Carros zero-km que têm ampla lista de opcionais dão liberdade de escolha ao consumidor. Mas do ponto de vista de negócio, quanto mais itens, maior a perda na hora da revenda. “As tabelas de usados, que são a base para definir seus preços, consideram o veículo básico e seu ano/modelo”, afirma o consultor Ricardo Strunz, da Prime Action. “O vendedor terá de tentar negociar um valor extra para os opcionais.”

O especialista diz que modelos que abrangem uma grande faixa de preço tendem a desvalorizar mais quando muito equipados. “Se um carro novo custa entre R$ 40 mil e R$ 70 mil, na hora da revenda o dono da opção mais cara obterá pouco mais que o da mais barata.”

Segundo revendedores da capital, equipamentos estéticos agregam pouco ou nada ao preço do usado (confira à direita). Entre os exemplos estão rodas de liga leve, faróis de neblina e acessórios (como bagageiro, película escurecedora e protetor de cárter). “O cliente não precisa desses itens”, diz Strunz.

 “Nos bancos de couro, pagamos cerca de R$ 500”, afirma o vendedor Luiz Lopes, da Center Veículos (5687-8743), loja independente na zona sul. O gerente de seminovos da Chevrolet Itacolomy (2103-9000), Marçal Nóbrega, diz que o revestimento só tem valor em carros sofisticados. “Nos de entrada, não.”

Visitamos revendas da capital e interior oferecendo um Fiesta 1.0 Supercharger 2004. O carro tinha ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, toca-CDs, rodas de liga leve, faróis de neblina e bancos de couro. O valor para a versão básica apurado na pesquisa do JC de quarta-feira é de R$ 19.700. Nas lojas, a maior oferta pelo Ford equipado foi de R$ 18 mil, pouco mais do que por uma unidade “pelada” (cerca de R$ 17,5 mil). “Nesses casos, vale anunciar e esperar um particular ”, diz Strunz.

Entre as que oferecem muitos opcionais estão Fiat, Ford e Volks. A GM está “fechando” seus itens em pacotes.

Exceções – Há alguns opcionais que agregam valor ao usado na hora da revenda. Segundo lojistas, a direção hidráulica é o principal. “Ar-condicionado, vidros, travas elétricos também contam pontos”, diz o gerente da Fiat Paulitalia (4977-4888), em Santo André, Rogério Lucila. “Num Palio Fire, o cliente paga cerca de R$4,5 mil por esses opcionais e, um ano depois, consegue R$2 mil a mais pelo carro ante um básico de mesmo ano. É uma desvalorização proporcional.”

Ele afirma que a depreciação para um modelo básico e outro igual, mas equipado com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricos é a mesma. “No primeiro ano, vai de 10% a 15%.”

Marçal Nóbrega, gerente da Chevrolet Itacolomy, diz que paga até R$21 mil num Corsa 1.0 2009 básico. “Com ar, direção, vidro e trava, ele pode valer até R$24 mil” (na pesquisa publicada no JC a média é de R$25 mil).

Em carros que têm poucos ou nenhum opcional de fábrica, a desvalorização pode ser menor. Exemplos são Honda Fit e Toyota Corolla, que trazem versões “fechadas”, sem itens extras. “O cálculo leva em conta o valor da versão zero e algumas já trazem de série faróis de neblina e rodas de liga leve. O cliente perde menos”, diz Nóbrega. Honda, Toyota e Citroën são algumas das marcas que oferecem poucos itens opcionais.

“Versões fechadas, típicas de modelos mais caros, devem começar a vir nos de entrada também”, diz o consultor de Vendas da Ford Mix (3363-3600), no centro, Sebastião Lira. O Chevrolet Agile se enquadra nisso. Lançado há três meses, é bem equipado nas duas configurações, LT e LTZ. A lista de opcionais é pequena.

Segundo Ricardo Strunz, os pacotes são uma forma de a montadora simplificar a produção e reduzir custos. “Isso acaba refletindo positivamente na desvalorização, já que a diversidade de preço do carro fica menor.”

Versões fechadas desvalorizam menos até em modelos cheios de acessórios, como Fiesta Trail. “Como é uma versão de fábrica, as de segunda mão não se desvalorizam além da conta”, diz Lira.

Preço do usado- A ideia de que carro é investimento com retorno- ou ao menos sem perdas- faz parte da cultura do brasileiro. No entanto, obter menos que o que pagou num zero-km na hora da revenda (o que muitos chama de “perder dinheiro”) é um fato. Ficar atento ao que contribui para a desvalorização, é segundo especialistas, a melhor forma de tentar “perder” o menos possível.

“Os opcionais são um dos fatores. A primeira avaliação independe disso ou mesmo do ano de fabricação. É visual”, diz o consultor de vendas da autorizada For Mix, Sebastião Lira. “Checamos conservação, aparência e quilometragem. Um modelo 2007 em bom estado pode até valor mais que um 2008 mal conservado.”

“As tabelas são um bom parâmetro, mas o prelo do carro usado não é ciência exata”, diz consultor Ricardo Strunz, da Prime Action. “Os lojistas pagam menos que as tabelas, pois isso será sua margem de lucro.” Segundo o consultor, a força da marca pode contar a favor de um produto. “Já manutenção e seguro, sejam esses fatores verdadeiros ou fama, reduzem seu valor.”

Ele explica a ideia do brasileiro de que o carro é investimento. “Até os anos 90 havia mais demanda que oferta e os usados eram atraentes. Era comum revender um carro pelo equivalente ao que se pagou pelo zero-km. “A realidade mudou: há novos nas lojas, os usados perderam espaço e se desvalorizam cada vez mais.”